terça-feira, 30 de abril de 2013

Planejando com cinema – Tropicália

 

tropicalismo

Colegas leitores do blog CineHistória, obrigado mais uma vez pela visita. Como foi comentado em uma postagem anterior, demos início no segundo semestre de 2012 a mais uma atividade pedagógica envolvendo cinema e ensino de História. Dessa vez o direcionamento voltou-se para a formação docente, e chamamos nossos encontros de Planejando com cinema. Nesses colóquios mensais discutimos como utilizar filmes nas aulas de História, mas não é só isso, a película também serve como ponto de partida para um aprofundamento dos professores no tema abordado por ela, já que esses momentos coincidem com o horário de estudo coletivo da área de ciências humanos do CEJA Joaquim Gomes Basílio, no munícipio de Brejo Santo, interior do Ceará.

No ano passado os temas escolhidos para debate foram O processo de descolonização dos países africanos no pós II Guerra, onde exibimos e discutimos o filme A Batalha de Argel; A criação do Estado de Israel, cujo filme escolhido foi o documentário O nascimento de Israel, e finalizamos 2012 fazendo uma discussão sobre a atual guerra no Iraque a partir do documentário Por trás do 11 de Setembro. Em 2013 discutiremos também três temas, no entanto, dedicaremos mais tempo para cada um deles: movimento tropicalista e sindicalismo operário no ABC paulista no primeiro semestre; e no segundo semestre, mergulharemos de cabeça no estudo do golpe militar de 64, já que no próximo ano completaremos cinco décadas do evento e certamente será bem explorado na mídia, o que estimulará um debate com os alunos. Esse tema será o foco do projeto História e Cinema no próximo ano letivo.

tropicalia 02

Bem, estamos chegando ao final das atividades do primeiro tema de 2013: Tropicalismo. Assim, farei um resumo das atividades que desenvolvemos em torno desse assunto, já agradecendo de antemão o interesse dos colegas e da gestão do CEJA Joaquim Gomes Basílio, por acima de tudo, entender a importância de se dar espaço para esse tipo de temática, assim como o uso das novas mídias na educação, algo muito discutido, não obstante, pouco efetivado.

tropicália 01

21/02 => Planejamento das atividades. Nesse momento, estabelecemos nossos objetivos com o tema, o que sabíamos, o que queríamos aprender, escolhemos o filme a ser exibido no próximo encontro e nos comprometemos a fazer as leitura dos textos selecionados para o estudo (em casa ou no horário de estudo individual na escola). O que nos chamou a atenção nesse primeiro momento foi que esse tema é importante, já que o espaço destinado ao assunto no livro didático é mínimo, o que muitas vezes nos impossibilita de trabalharmos mais a fundo a tropicália com os alunos, além do fato de isso muitas vezes (implicitamente) sugerir que se trata de algo de menor relevância, o que não é o caso. Às vezes, esse assunto é relegado ao final do capítulo nos livros didáticos, a título de apêndice, no chamado material complementar. E como sabemos, na maioria das vezes a carga-horária não nos permite aproveitar adequadamente esse material. Então, no final, ficou a ideia de escolhermos nos próximos anos temas que justamente nos permitam a produção de algo que acrescente conhecimento a nós professores em assuntos que não nos achamos suficientemente habilitados.

14/03 => Exibição do filme Tropicália, do diretor Marcelo Machado. Bem, a recepção estética da obra foi a melhor possível. Todos nós expressamos nossa opinião positivamente sobre o filme e achamos que ele atendeu bem as nossas expectativas. Ficou bem claro que um dos elementos fundamentais na tropicália é que tratou-se de um movimento artístico que estabeleceu um diálogo com outras artes e mídias. Inclusive este talvez tenha sido o último movimento cultural brasileiro que possa ser visto por essa óptica. Ficou marcado para o próximo encontro o debate dos textos. Encerramos nossas opiniões e nos comprometemos a ouvir os principais discos do movimento: Tropicália ou Panis et Circenses, os primeiros de Tom Zé, Caetano Veloso, Gilberto Gil e dos Mutantes.

DSC03021

DSC03020

DSC03018

04/04 => Esse encontro foi dedicado ao debate dos textos de apoio que tínhamos selecionado a priori. São eles: A tropicália: cultura e política nos anos 60, de Cláudio N P Coelho, que aborda o aspecto político do movimento no que se refere ao embate entre o movimento de esquerda radical que lutava contra a ditadura e “exigia” uma postura mais engajada dos tropicalistas e o ideário de revolução “pela arte”, defendida pelos artífices do movimento, a saber, Caetano Veloso e Gilberto Gil. O autor, no entanto, aproxima as ideologias e ressalta que o diferencial estava na abordagem da crítica e nos métodos de ação. Outro texto que discutimos foi a publicação no site oficial do tropicalismo (www.tropicalia.com.br) de um resumo histórico dos principais eventos e personagens da tropicália. Além disso, lemos alguns textos do material didático da escola sobre o assunto. Mais um momento proveitoso.

DSC03088

DSC03090

DSC03086

25/04 => Nesse último encontro sobre o Tropicalismo, procuramos focar naquilo que chamamos de resultado prático de nossas atividades: a produção de um plano de ação para desenvolvermos com os alunos. É fundamental lembrarmos que existe uma obrigatoriedade de se trabalhar música na escola, trata-se da lei 11.769, de agosto de 2008, que modificando o texto inicial do projeto de lei que criava uma disciplina específica, estabeleceu que a música tem que ser apresentada como componente obrigatório nas aulas de Arte e Educação. Assim, esse tema nos permite também explorar essa questão, num trabalho interdisciplinar. Aliás, esse foi um ponto que destacamos no nosso debate de elaboração do plano de ação. Farei aqui um resumo do que propomos.

No planejamento que fizemos (e que executaremos já no segundo semestre deste ano), dividiremos a sala de aula em equipes e destinaremos a cada equipe um aspecto a ser abordado do tema Tropicália. No entanto, antes disso montaremos uma equipe de trabalho com o corpo docente. Em que cada professor envolvido abordará em suas aulas (Artes, Português e História) a contextualização necessária para ambientarmos o aluno no tema, como A semana de arte moderna de 22 (professor de Artes), e Golpe Militar de 64 e contexto geral da didatura (professor de História). Após esse momento, cada equipe pesquisará a demanda oferecida, como os principais discos do movimento; a tropicália como evento cultural e político; a questão estética e a influência do tropicalismo na música brasileira contemporânea, etc. Após essa etapa de pesquisa e debates, montaremos seminários temáticos, onde cada equipe, de maneira dinâmica (variação de métodos de apresentação) explanarão o resultado do seu trabalho, suas descobertas. A ideia é que possamos apresentar o máximo possível de conteúdo cultural nesses eventos, permitindo aos estudantes um contado maior com a música, a capa dos discos, os filmes, etc. E por falar nisso, antes da apresentação das equipes, organizaremos uma sessão de exibição do documentário Tropicália, que nos deu mote para o planejamento das atividades.

DSC03117

DSC03119

DSC03120

DSC03122

Bem, numa postagem futura, e para não se alongar demais, farei um apanhado dessas atividades, explicando em mais detalhes como organizamos os eventos e algumas opiniões dos nossos alunos sobre a participação no projeto. Agradeço a leitura e espero os comentários. Até a próxima!

sexta-feira, 8 de fevereiro de 2013

Projeto Planejando com Cinema

DSC02438

No dia 25 de outubro de 2012, demos início a mais uma importante etapa do nosso trabalho pedagógico em torno da relação entre o cinema e o ensino de História. Trata-se da atividade que denominamos Planejando com cinema.

Nas quintas-feiras os professores da área de Ciências Humanas do CEJA Joaquim Gomes Basílio se reúnem para o planejamento pedagógico semanal e para o que denominamos estudo coletivo do currículo das disciplinas que ministramos. Propus então que o cinema poderia inserir-se nesse contexto como catalisador de debates sobre os temas que fôssemos estudando, despertando novas abordagens para o assunto e nos encaminhando para um debate mais amplo no sentido de utilizarmos as novas mídias no processo de ensino.

DSC02442

É importante ressaltar que ao propor a utilização de projeções visuais em nossos encontros, viso também a elaboração de um material pedagógico para futura utilização dentro da própria escola, ou seja, ao final dessa atividade, nós professores, produziremos um conteúdo programático para aplicação junto aos alunos, além, obviamente, do nosso próprio aprendizado.

Combinamos que a cada três encontros semanais, um deles será dedicado a essa atividade, e escolhemos como primeiro tema de debate o processo de descolonização do continente africano, e como estudo de caso a independência da Argélia. A partir daí, selecionamos o artigo A Batalha de Argel, escrito por Adson Rodrigo Silva como texto que seria lido antes do encontro e foi pedido a cada professor que fosse feito um estudo prévio do capítulo do livro didático adotado pela escola sobre o assunto, no caso, História: das cavernas ao terceiro milênio, da Editora Moderna, Volume 3, capítulo 7, p. 121-124.

A batalha de argel 1

No dia marcado para o encontro, abrimos a sessão com a leitura coletiva da sinopse do filme (BERGAN, Ronald. Cinema. Rio de Janeiro, Editora Zahar, 2009) e debatemos o artigo citado no parágrafo anterior, criando uma ambiência favorável a concentração nos aspectos históricos do filme, mas também para possibilitar uma adequada contextualização do filme também com produto cultural, já que falamos um pouco sobre o diretor, suas convicções políticas e do filme como um instrumento de intervenção social.

Bem, o filme escolhido para nortear as nossas discussões foi A Batalha de Argel, dirigido em 1965 por Gillo Pontecorvo. Considerado pela crítica uma obra seminal, recebeu o prêmio de melhor filme do Festival de Veneza. É um verdadeiro painel ilustrativo do desenrolar dos acontecimentos dramáticos que envolveram a libertação da Argélia, mas mostra tudo de maneira imparcial, levantando os vários aspectos envolvidos no projeto de independência, bem com os movimentos contrários a esse fim.

a batalha de argel 3

Ao final, decidimos o que seria o tema da próxima projeção: a criação do Estado de Israel. Acertamos também que iremos intercalar nas próximas sessões, filmes de conteúdo histórico com a exibição de documentários que tratam da relação entre cinema e educação, para que possamos mergulhar na produção teórica relativa ao nosso trabalho.

images

Como culminância foi decidido também elaborarmos ao final de cada encontro alguns questionamentos sobre o filme e sobre a utilização do recurso visual cinematográfico para posterior uso em sala de aula. Assim como a confecção de um painel expondo as atividades do Planejando com cinema. Além, é claro, da publicação das ações no blog do CineHistória.

DSC02617

Até o final do ano passado, além dos temas citados, discutimos também a atual situação de conflito no Iraque, a partir do que consideramos um marco que agravou os conflitos já existentes: o 11 de Setembro. É importante ressaltar que não escolhemos a longo prazo os conteúdos a serem discutidos, pois é importante que deixemos uma discussão nos encaminhar para outra.

Já em 2013, durante a semana pedagógica do CEJA, a experiência do projeto Planejando com cinema foi compartilhada com os demais professores da escola, quando expus a metodologia de trabalho e os objetivos que desejamos efetivar.

DSC02997

DSC02994

Espero com isso estar contribuindo para a dinâmica dos estudos docentes dentro da instituição escolar e quem sabe, plantar uma ideia que possa ser desenvolvida e disseminada entre outras escolas. Para isso, conto com as contribuições dos leitores do blog, através de sugestões postadas aqui. Em breve farei outra postagem com as atividades desenvolvidas em 2013 em nosso momento de planejamento com o cinema.

Até a próxima!

quarta-feira, 16 de janeiro de 2013

Violência e Sistema Prisional no Cinema

 

carandiru 2

Bom ano de 2013 a todos que acompanham o blog do CineHistória! Neste ano daremos continuidade as postagens sobre as nosso projeto, cujo tema para esse biênio 2012-2013 é Mídia, sociedade e violência urbana. Como já foi esclarecido em outras oportunidades, dividimos nosso cronograma em cinco etapas, sendo que em 2013 trabalharemos as três últimas: violência e corrupção social, violência e tráfico de drogas, e por último violência e escola. No ano passado, discutimos durante o primeiro semestre o eixo temático Violência e desigualdade social, onde exibimos os filmes Cidade de Deus e Ônibus 174. Sobre esse assunto já fizemos uma postagem, expondo o processo de trabalho junto aos alunos.

Nesta publicação, o objetivo é relatar resumidamente como foi efetivado o trabalho com o eixo de discussão violência e sistema prisional, abordado no segundo semestre do ano passado.

Como fizemos com o primeiro eixo, escolhemos dois filmes para nortear a discussão: Carandiru (ficção baseada em fatos reais) e O prisioneiro da grade ferro (documentário). A ideia é também trabalhar a percepção do aluno para a questão do gênero, e estimular a discussão em torno da veracidade do que está sendo exposto na tela, bem como debater as diferenças de objetivo entre uma produção ficcional e um documentário.

Carandiru

prisioneiro da grade de ferro 3

Bem, antes da exibição dos filmes, fizemos uma discussão do tema com os alunos, onde o foco elementar era a relação entre o sistema prisional brasileiro e a violência. Até onde o nosso sistema prisional funciona, no sentido a que ele se propõe legalmente: reeducar o preso? Seria ele na verdade um formador de novos criminosos, ou pelo menos um potencializador do aumento da violência? As leis, a estrutura do poder judiciário e as péssimas condições dos presídios foram os tópicos mais abordados nas discussões que também se estenderam para depois das exibições dos filmes. Mais uma vez agradeço a boa vontade dos alunos em assistir aos filmes, ao núcleo gestor do CEJA pelo empenho na realização das atividades e aos colegas professores, sem os quais o projeto não existiria.

DSC02397

DSC02402

DSC02404

Bem, para finalizar, faremos aqui a divulgação dos textos vencedores do concurso de redação sobre o primeiro eixo temático Violência e desigualdade social. Só lembrando! Ao final das discussões coordenadas pelos professores de História, e a posterior exibição dos filmes, os professores de Língua Portuguesa e Redação, Gorete e Anderson, orientam os alunos na produção de um texto dissertativo, onde possam registrar suas impressões e opiniões à respeito do que foi trabalhado. Posteriormente, são escolhidas as melhores redações de cada sala e as expomos em um painel no pavilhão da escola. Desses, premiamos os mais votados por uma comissão de professores. Foram eles:

Violência na cidade

A violência urbana é algo que está presente em todas as cidades do país. Ela tem várias causas, como brigas entre vizinhos, discriminações de pessoas consideradas diferentes das outras, como negros, homossexuais, etc.

A violência nas cidades também é causada pelo tráfico de drogas aliado a um sistema econômico que mais exclui do que inclui. Quer dizer, pessoas de baixa renda que não têm condições de adquirir bens materiais, como: carros importados, roupas de marca, casas de luxo; daí então começam a ser traficantes para mudar de vida social.

Hoje no Brasil, a violência se espalha também pelas cidades do interior, pois os grupos criminosos procuram por novos territórios. Além disso, eles também absorvem os problemas típicos das grandes metrópoles, como a degradação moral. É preciso uma reforma política e social. Essa ação depende do estado e também da sociedade.

Terezinha Pedrosa Ferreira

Ensino Fundamental /Turma B

Violência e Desigualdade Social

A desigualdade social é um fator muito relevante para que haja violência em grande parte do país, por trazer vários conflitos entre pobres e ricos.

Em alguns casos, os ricos zombam de seus inferiores que se revoltam e batem ou até matam. Muitos dos jovens, por serem de classe alta, perseguem os que têm menos dinheiro.

Essa violência ocorre também de forma contrária. Alguns jovens de família mais humilde se revoltam por não terem um prato de comida melhor em suas mesas ou dinheiro suficiente para o estilo de vida dos demais e acabam agindo com total violência com a população em geral.

Muitos praticam a violência por prazer: matam, roubam, espancam, não por serem de classe baixa, e sim porque gostam. Se as autoridades tomassem providência com punições mais coerentes; bons empregos, por exemplo, seria uma boa ação, e a violência seria menos praticada.

Veronica Costa de Sousa

Ensino Médio/Turma I

Violência e Desigualdade social

A desigualdade social é uma das maiores causas de violência, não só no Brasil, mas em todo o mundo. Muitas pessoas de classe baixa entram no mundo do crime por falta de oportunidade e conhecimento.

Existem muitas crianças nas ruas usando drogas, prostituindo-se e praticando roubos. Muitos jovens estão nessa mesma situação, às vezes até cometendo crimes como estupros, assassinatos e sequestros; e tudo isso acontece por causa da desigualdade social.

Se existissem abrigos e empregos para todas essas pessoas saírem das ruas e trabalharem, talvez amenizasse essa situação. Mas para que isso aconteça alguém tem que olhar com bons olhos para entender o que está acontecendo com o Brasil e como podemos resolver esses problemas.

O fato é que as autoridades políticas e as pessoas de uma maneira geral não fazem nada para que essa realidade mude. Onde iremos parar com tanta injustiça? Pois sabemos que se a realidade continuar como está, muitos dos nossos jovens não passarão dos trinta anos.

Ana Paula Ferreira da Silva

Ensino Médio/Turma I

Ao final desse processo realizamos uma pequena cerimônia (como pode ser visto nas fotos abaixo), onde entregamos os prêmios.

DSC02426

DSC02424

DSC02425 DSC02415

DSC02428

Até a próxima postagem!

sábado, 21 de julho de 2012

Violência e Desigualdade Social

campanha violência PARA IMPRIMIR

Bem, para quem está acompanhando a evolução do nosso tema esse ano no CEJA Joaquim Gomes Basílio, esta postagem marca o encerramento das atividades do primeiro eixo de discussão: violência e desigualdade social. Os filmes exibidos foram Cidade de Deus e Ônibus 174. Com base nos textos distribuídos entre os professores, os vídeos e o próprio material didático utilizado em sala de aula, procuramos afastar a relação direta que se faz muitas vezes entre violência e pobreza. A questão é: o indivíduo não é violento porque é pobre. No entanto, em que sentido, a extrema desigualdade social é um estímulo à violência? Alba Zaluar diz que “se assim o fosse todos os pobres seriam necessariamente criminosos e todos os criminosos seriam pobres”. O sociólogo mineiro Edmundo Campos Coelho desenvolveu uma pesquisa nesse sentido e mostrou que quando se aumenta o desemprego, por exemplo, o problema da violência não se agrava. Mas a ambiência de injustiça e a plena certeza de impunidade contribuem para o aumento dos atos criminosos. Como? Esse foi um ponto chave de nossas discussões.

DSC01650

No que se refere a problemática do senso de impunidade, da atmosfera de um estado que não pune exemplarmente o ato delituoso, ou que manifesta certa ambivalência em relação ao comportamento criminoso, deixaremos para discutir mais na próxima postagem, já que será nosso foco no eixo violência e sistema prisional; mas é importante ressaltar que a desigualdade social também é pensada por esse prisma, posto que estatisticamente os crimes cometidos por pessoas classificadas como pertencentes a camadas inferiores na escala material são punidos com mais freqüência; o que, na visão de alguns estudiosos do assunto, contribui para aumentar o desrespeito pela ordem constituída.

Hobbes, tratando da questão contratualista, afirma que entre o Estado e a sociedade existe um acordo implícito, em que as pessoas cumprem a lei na esperança de que os seus direitos sejam garantidos pelo governo, ou seja, a lei, quando é cumprida, não o é pelo simples fato de existir, mas porque no estágio moderno da organização social humana, a coletividade usufrui a contraparte do sacrifício oferecido contra sua individualidade. Então chegamos a questão imperativa para nós nesse momento: nesses grupos sociais em que é gestado um corpus juris paralelo, um estado dentro do Estado, há esperança na troca simbiótica pensada por Hobbes? Acho, sinceramente, que essa pergunta precisa ser respondida antes do aparelho repressor começar a “funcionar”.

fav_bairro

Bem, faço agora um apanhado das atividades do eixo violência e desigualdade social, que compõe junto com quatro outros sub-temas o programa de 2012-2013, que tem como matriz geral o tema Mídia, Sociedade e Violência Urbana. No entanto, antes de entramos propriamente no assunto da postagem, quero fazer menção a algo de substancial importância: a troca de alguns professores que estão trabalhando as atividades ligadas ao projeto junto aos alunos.

Devido ao processo de seleção de professores ter avançado em alguns meses do período letivo, a substituição das professoras que estavam iniciando as atividades conosco causou algum atraso em nosso cronograma, posto que tive que fazer a apresentação do projeto para os novos docentes e uma outra turma de alunos que não estudavam antes na sede do CEJA e agora estão conosco participando do projeto.

DSC01617Fiquei muito contente com a receptividade dos novos professores as idéias e senti que houve um interesse imediato pelo tema. Reuni-me por área com os novos professores, pois cada disciplina tem uma participação específica. Comecei com os novos professores do Laboratório de Informática, Adriano de Jesus Lima e José Paulo dos Santos, que tem a importante missão de coordenar o processo de digitação das opiniões dos alunos, onde os mesmos aproveitaram para introduzir os leigos no universo da informática, já que em nosso grupo de alunos, grande parte não tem acesso a computadores. E claro, agradeço mais uma vez a ajuda do amigo da escola José Marcelino da Rocha (Zé Santana) pela presença em nossas atividades, dando sugestões e puxando os debates aqui no blog.

DSC01587 Os professores Anderson Luiz Vale Fonseca e Maria Gorete Fonseca ficaram responsáveis por dar o suporte na disciplina de Português e ajudarem os alunos a produzir os textos sobre cada eixo de discussão. Os textos serão elaborados seguindo os gêneros textuais que estiverem sendo trabalhados por eles dentro das aulas de Português. Ficando a cargo da professora Socorro Inácio, como já foi mencionado na postagem anterior, a missão de coordenar as atividades dessa área, inclusive da escolha dos textos que serão premiados ao final de cada eixo.

DSC01589Bem, para trabalhar as discussões da área de ciências humanas, História, Geografia, Filosofia e Sociologia, foram convidados os professores Thiago Henrille Gomes Maia e Elita Maria Alves de Macêdo Cavalcante, que atuarão mais efetivamente durante as atividades do tema desse ano, já que eles vão puxar os debates durante as suas aulas e acompanharão os alunos nas exibições dos filmes.

DSC01592 Acho que agora podemos voltar para o relatório de nossas atividades nesse primeiro eixo de discussão. Após o trabalho em sala de exposição do tema e debates, exibimos o primeiro filme de nosso programa para esse ano: Cidade de Deus. Por coincidência, o filme foi exibido praticamente na mesma data da comemoração dos seus 10 anos. Entre os dias 15 e 22 de maio, as turmas da EJA fundamental e da EJA médio assistiram a exibição do filme em nossa sala de cinema, que carinhosamente chamamos de CineHistória.

DSC01649 DSC01671

DSC01672

Mas é claro, antes da exibição, os professores envolvidos no projeto discutiram o assunto com os alunos, direcionando as atividades para um maior aproveitamento. Após a exibição, começaram os debates. É bom frisar que a partir da exibição do filme, a discussão ganha um outro corpo, pois passamos a analisar aquilo que o filme expôs, mas fundamentando naquilo que foi proposto como eixo de discussão. Sendo assim, além de estarmos explorando a relação entre desigualdade social e violência, utilizamos a obra de arte, nesse caso o cinema, para estimular nossos alunos a ter uma atitude crítica diante do recurso audiovisual.

DSC01660Para finalizarmos o trabalho do primeiro sub-tema, exibimos o filme de José Padilha, o documentário Ônibus 174. Escolhemos esse filme para encerrarmos a discussão porque explorando um evento mais específico, ele acaba dando vazão a toda gama de assuntos que discutimos durante o trimestre, principalmente a ideia do condicionamento violento vinculado a condição material da pessoa. Mas, o espetáculo midiático em que se transforma o evento nos permitiu perceber como os atos de violência, a partir dos dramas individuais e coletivos, são usados pelos meios de comunicação para manipular a opinião pública.

Passadas essas etapas, encaminhamos o trabalho para a disciplina de Português, que ficou responsável pela produção dos textos com os alunos. Pedimos para que os professores Anderson e Gorete orientassem seus alunos a produzirem um texto sobre o eixo Violência e Desigualdade Social, e uma opinião sobre um dos dois filmes que foram expostos: Cidade de Deus e Ônibus 174. Na volta das aulas em agosto, exporemos os melhores textos e premiaremos os destaques. Farei aqui uma postagem com o resultado dessa culminância. Até lá, então!

Mas, antes de finalizar não posso deixar de relatar aqui outra importante atividade de nosso projeto: a parceria com a escola de Ensino Fundamental João Teles de Carvalho. Através da professora Socorro Inácio (coordenadora da área de Português do Projeto História e Cinema no CEJA) seus alunos estão fazendo também as discussões que estamos propondo. Instigados pela professora Socorro Inácio, eles estão seguindo as mesmas etapas que propomos para os alunos da Educação de Jovens e Adultos com pequenas adaptações para a sua idade e série. Ao final das discussões, eles são convidados a se dirigirem as dependências do CEJA para assistirem as exibições em nosso CineHistória.

DSC01995A professora Socorro Inácio irá auxiliá-los na produção textual e posterior publicação em nosso blog. Agradeço a presença de todos em junho para a exibição de Ônibus 174. E aguardo dos textos de vocês!

DSC02007Pessoal, obrigado pela leitura. No próximo eixo discutiremos a relação entre a violência e o aparelho repressor. Até a próxima!

domingo, 22 de abril de 2012

10 anos do CEJA e 10 000 acessos ao blog

CEJA Joaquim Gomes Basílio – 10 anos oportunizando o saber

DSC01566

Essa é uma postagem de agradecimento. Obrigado a todas as pessoas que até o presente momento acessaram o nosso blog. Em especial aqueles que dedicaram alguma parte de seu precioso tempo para a leitura atenta dos textos aqui postados. Aqueles que se dispuseram a deixar um comentário, uma sugestão, uma crítica; continuem a fazê-lo, pois precisamos desse estímulo.

Bem, completamos 10 000 acessos a nossa página. No universo da internet, sabemos ser pouco relevante, mas foi uma primeira etapa que cumprimos. Novos alunos estão se engajando nos trabalhos a partir deste ano, outros professores vem se somar a nossa equipe. Com isso a repercussão de nossas atividades vem aumentando e com certeza o blog do CineHistória atrairá mais leitores. Pois bem, por coincidência o CEJA Joaquim Gomes Basílio, uma das escolas em que sediamos as atividades do projeto História e Cinema está completando 10 anos de funcionamento como centro de educação de jovens de adultos. De uma maneira geral, a escola já funciona há mais de quatro décadas, no entanto a partir de 2002 passou a funcionar apenas com a modalidade de jovens e adultos, atendendo a demanda que a região apresenta para essa metodologia de ensino.

Desde 2009, desenvolvemos o projeto História & Cinema nessa Escola, e contamos com o apoio irrestrito de todo o núcleo gestor e demais funcionários. Assim, em forma de agradecimento, prestamos essa singela homenagem ao CEJA, abrindo espaço aqui no blog para contar um pouco da história da instituição e da importância que ela ocupa no universo educacional de Brejo Santo.

Uma pequena história do CEJA de Brejo Santo

A Escola Joaquim Gomes Basílio foi construída em 1966, em terreno doado pela prefeitura, na administração do Sr. Juarez Leite Sampaio, para o Governo do Estado do Ceará, representado na época pelo Sr. Virgílio Távora. A verba para a construção veio do Projeto Aliança para o Progresso, mantida pelos Estados Unidos da América, por isso a planta inicial foi projetada e edificada com a parceria de engenheiros estadunidenses e brasileiros. O terreno era alagadiço, com área de 1.405 metros quadrados. A construção, com área de 736 metros quadrados, foi adaptada ao terreno e nunca apresentou problema na estrutura. Contava com cinco salas de aula, cinco banheiros masculinos, cinco banheiros femininos, um pavilhão coberto, uma diretoria e uma secretaria.

ceja DSC01568 A escola foi inaugurada em 1967, com o nome de Escola Joaquim Gomes Basílio, oferecendo ensino primário (1ª a 4ª série), de acordo com a legislação vigente, com um número de 150 alunos aproximadamente. Com o passar dos anos, a escola passou a oferecer o Ensino Fundamental completo. O nome "Joaquim Gomes Basílio" é uma homenagem ao professor e político da cidade conhecido como Quinzô, que tinha uma inteligência admirável. Dominava integralmente o latim, o francês e o inglês e era brilhante em muitas disciplinas do currículo escolar.  Quinzô estudou no seminário de Fortaleza, depois voltou a Brejo Santo onde foi Prefeito Municipal de 1914 a 1916.

Imagem1

A Escola foi dirigida inicialmente por Maria Marli Medeiros Gonçalves (1967 a 1989); por Maria Inês Landim (1990 a 1995) e por Maria do Carmo Pinheiro Sampaio Leite (1996 a 2001). Em 2001 a Escola Joaquim Gomes Basílio passou a ser Centro de Educação de Jovens e Adultos - CEJA Joaquim Gomes Basílio, dirigido por Antônio Laurentino Feitosa de 2001 a 2004. É importante ressaltar que os trabalhos como CEJA só iniciaram realmente em 2002. Entre os anos 2005 e 2008, a escola teve como diretora geral Maria de Fátima Lucena de Moura. Desde 2009 está de volta à direção Maria do Carmo Pinheiro Sampaio Leite, que também havia sido coordenadora pedagógica na gestão de Maria de Fátima Lucena de Moura. Atualmente o núcleo gestor é composto também por Maria Socorro Alves Patrício Moura e Francisco Josmey Miranda (coordenadores escolares) e Lourdes Rodrigues Santana de Oliveira (secretária).

sam_0601

O CEJA atende nos três turnos. Conta com um espaço físico de nove salas de aula, uma quadra coberta, um pavilhão coberto, uma cantina ampliada, uma sala de multimeios, quatro salas para setor administrativo e pedagógico, banheiros masculino e feminino, banheiro para funcionários, um almoxarifado, dois laboratórios de informática, jardim e estacionamento fechado. Atende na modalidade de Educação de Jovens e Adultos do Ensino Fundamental e Médio, regime presencial, em que as aulas são regulares, e semi-presencial; neste caso o aluno estuda em casa e frequenta a escola para tirar dúvidas com os professores e serem avaliados.

DSC01555 DSC01559 DSC01560 DSC01556 Entendendo o semi-presencial

A modalidade semi-presencial é um sistema de ensino implantado no CEJA Joaquim Gomes Basílio desde 2002 e que vem proporcionando a jovens e adultos uma aprendizagem baseada na proposta do construtivismo, uma vez que o aluno aprende a partir da descoberta, da análise, da reflexão.

Os módulos são trabalhados da seguinte forma: fazendo uma comparação, no ensino presencial a aprendizagem se dá através de leituras em sala de aula sobre diversos conteúdos que estão incluídos nas competências e habilidades desenvolvidas durante todo o período letivo. Os professores acompanham os estudos, instigando os educandos a buscar respostas, a descobrir e construir o conhecimento. Já a modalidade semi-presencial é apresenta, em sua proposta, com estratégias diferenciadas. O discente ao fazer matrícula recebe orientação dos professores sobre o método de estudo, que possibilita ao aprendiz maior liberdade, já que é ele o condutor do seu estudo, escolhendo o tempo e o espaço para estudar: casa ou escola. O educando comparece à escola para ser avaliado ou para receber novas orientações de estudo, caso precise.

Além dos alunos regularmente matriculados nesta instituição de ensino, o CEJA também presta um relevante papel no sentido de atender aos alunos de outras escolas que estão cursando disciplinas em que não passaram por média nessas instituições no ano anterior. É o que a legislação chama de progressão parcial. Esses alunos, que, tendo ficado reprovados em até quatro disciplinas nas escolas em que estão regularmente matriculados, podem optar por matricular-se normalmente na série seguinte e cursar essas disciplinas no CEJA, dessa forma podendo prosseguir seus estudos sem que fiquem fora da faixa etária adequada.

O CEJA é uma instituição de ensino que oferece aos jovens e adultos, que muitas vezes são impossibilitados de concluir os estudos por diversos motivos ou fatores, oportunidades de demonstrar que são capazes de fazer suas histórias, de participarem como seres ativos da construção de um novo mundo.

sam_0602

O Cursinho do CEJA

Em fevereiro de 2005, o CEJA Joaquim Gomes de Basílio, valendo das prerrogativas que a sua legislação específica permite, fincou a pedra fundamental de uma importante contribuição para o meio educacional de Brejo Santo: a Revisão de Estudos. Essa modalidade visa proporcionar aos egressos do Ensino Médio uma oportunidade suplementar para aprimorar sua educação curricular, e em especial, o conteúdo preparatório para o vestibular.

Conhecida pela sociedade brejossantense e circunvizinhanças como cursinho do CEJA, essa modalidade acabou proporcionando a escola uma relevante visibilidade no meio educacional e legou ao alunado uma perspectiva positiva no que se refere a sua entrada na universidade. Pessoas das mais diferentes idades retomaram seus estudos e muitas delas conseguiram a aprovação no vestibular.

Os números apresentam uma boa idéia da dimensão do sucesso da empreitada. Centenas de alunos freqüentaram as aulas, e desses, cerca de 200 obtiveram aprovação, e em alguns casos, para cursos concorridos de universidades públicas estaduais e federais. No entanto, o mais importante foi oferecer à comunidade escolar a chance de inserir-se novamente no ambiente educativo/institucional, sentir-se partícipe da produção intelectual do conhecimento e a elevação da auto-estima de uma parcela da sociedade que não pode viver à margem do ensino regular, seja em que nível ou modalidade o aluno se encontre.

O esforço somado de todos, professores, secretárias, núcleo gestor e demais funcionários foi essencial para o sucesso da missão, mas o CEJA faz um agradecimento especial a você estudante, que confiou no nosso trabalho, depositou esperança na nossa equipe e com esforço próprio, atingiu seus objetivos.

A melhor escola deve ser aquela em que estudamos. Felizmente, só depende de nós.

Entrevista com a Diretora Maria do Carmo:

DSC015531. Sempre foi uma curiosidade minha, e acho que do público em geral, saber como se efetivou a transição do Joaquim Gomes Basílio de escola regular para Centro de Educação de Jovens e Adultos. Como se deu exatamente esse processo? Pois como sabemos você fazia parte do núcleo gestor quando a mudança estava sendo articulada.

A escola de ensino fundamental Joaquim Gomes Basílio foi fundada em 2001. Como o processo de municipalização do ensino teve a sua missão extinta, dando-se início a uma luta para a transformação de instituição de ensino regular para Centro de Educação de Jovens e Adultos.

Conscientizada a comunidade escolar foi iniciado o projeto de transformação que ao ser aprovado, após inúmeras solicitações e concluindo os trâmites legais foi implantado o CEJA, preservando o mesmo nome Joaquim Gomes Basílio.

2. Você se colocou a favor ou contra a alteração e por quê?

Eu acredito sempre que mudanças e inovações no processo de educação são sempre bem vindas. E neste caso a implantação do CEJA no município de Brejo Santo somente trouxe a inclusão no processo educacional e vislumbrou uma perspectiva de projeção nunca vista no município de Brejo Santo. Por perceber todas essas circunstâncias eu sempre fui a favor.

3. É possível, ainda com menos de uma década de funcionamento, percebermos os frutos de um Centro de Educação de Jovens e Adultos na nossa cidade? Em outras palavras, qual a importância do CEJA para Brejo Santo?

É possível sim percebemos a importância dos frutos desse centro, haja vista o número de concludentes do ensino fundamental e médio, além da aprovação significativa nos vestibulares da região do cariri e da capital, a partir de seus estudos no regime semi-presencial, modulação e principalmente a Revisão de Estudos.

4. Certa parcela da sociedade brejossantense percebia o CEJA como uma escola que era frequentada basicamente por pessoas da terceira idade. Nos últimos anos isso vem se alterando. A que se deve essa mudança de percepção à respeito da escola?

Essa mudança vem se construindo ao longo desses oito anos devido a credibilidade que o CEJA alcançou, por conseqüência dos profissionais que nele trabalham, e que sempre manifestaram competência e compromisso na prática do processo ensino-aprendizagem. Hoje, o jovem cada vez mais vem beber na fonte do CEJA, porque sabe que aqui eles têm apóio tanto nas questões humanas como nos estudos.

5. Para finalizar, deixe uma mensagem para os alunos da escola. O que você espera deles e o que eles devem esperar do Centro de Educação de Jovens e Adultos Joaquim Gomes Basílio?

A minha mensagem é no sentido de reafirmar que acredito nessa instituição. Acredito que ela ainda trará grandes benefícios a nossa cidade e circunvizinhanças, pautada sempre na busca pela melhoria da educação e dos nosso alunos. Quero dizer aos mesmos que continuem acreditando nesse Centro de educação e acreditem muito em seus próprios sonhos, pois estamos juntos para realizá-los.

Localizando o CEJA:

Captura de tela inteira 1842012 131515.bmp Captura de tela inteira 1842012 131955.bmp Captura de tela inteira 1842012 132747.bmp Até a próxima postagem!