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Blog dedicado a divulgação do Projeto História e Cinema, que discute o cinema como ferramenta pedagógica no trabalho com a disciplina História.

terça-feira, 20 de dezembro de 2011

Brasil afrodescendente: conhecendo a nossa história

DSC01041Desde que planejamos nossas atividades, eu não tive dúvidas que este ano conseguiríamos atingir nossos objetivos para o mês da consciência negra. Como foi dito na última postagem, desde outubro já tínhamos dado início as nossas atividades, com a escolha dos textos a serem discutidos nas salas da EJA presencial. Fizemos um amplo e detalhado cronograma, que seguimos praticamente a risca. O saldo foi mais que positivo. Vejam abaixo um resumo de tudo que o realizamos no CEJA Joaquim Gomes Basílio durante as comemorações do mês da Consciência Negra:

Como foi dito, nosso trabalho começou ainda em outubro, quando realizamos um planejamento pedagógico com as professoras envolvidas no Projeto História & Cinema, a coordenadora pedagógica Leda e o aluno colaborador José Marcelino da Rocha. Planejamos os objetivos do trabalho, metodologia, e claro, principalmente as ações que iríamos desenvolver. Um bom filme começa por um bom roteiro, e acho que foi isso que fizemos nessa reunião.

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Já na semana seguinte, as professoras iniciaram a discussão dos textos com os alunos que havíamos previamente escolhido. Em resumo, os textos abordavam a história da lei 10.639/03 que trata da inclusão de conteúdos da história africana no currículo da educação básica, assim como história da África, escravidão, resistência e situação dos negros no Brasil de hoje. Discutiu-se bastante sobre a influência dos africanos na nossa cultura, ponto chave da nossa proposta.

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A partir desses textos foram produzidos cartazes que serviriam depois para uma socialização em sala e expostos durante a culminância do projeto.

DSC04328DSC04339 Convidamos a professora Maria de Fátima Alves para proferir uma palestra sobre o Dia Nacional da Consciência Negra. Fátima é uma das mais dedicadas pesquisadoras do assunto em Brejo Santo, e contribuiu muito para esclarecer aos alunos a importância do tema, bem como permitiu a eles conhecerem mais sobre a influência dos africanos em nossa sociedade. Agradecemos muito a sua imensa ajuda.

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No dia 10 de novembro, tivemos a nossa sessão de cinema, com a exibição dos curtas O xadrez das cores e A incrível história da mulher que mudou de cor. Foi uma noite muito proveitosa, pois os alunos estavam muito receptivos ao debate. Na mesma noite exibimos alguns vídeos sobre a luta dos negros para serem reconhecidos na sociedade brasileira e apresentamos também imagens de ícones negros da nossa história.

DSC01012 Ao final das exibições, servimos um lanche tipicamente africano: pipoca (tudo a ver com o cinema também) e aluá, uma bebida muito consumida em nossa região há algumas décadas, mas que muita gente não sabia ser de origem africana.

DSC01034 DSC01040 Tivemos o imenso prazer de receber no CEJA Joaquim Gomes Basílio os alunos da Escola João Teles de Carvalho, que estavam pesquisando sobre história e cultura africana. Eles fizeram uma visita a biblioteca do CEJA e participaram de uma sessão extraordinária do nosso CineHistória. Acompanhados pela professora Socorro Inácio (também professora do CEJA), eles assistiram O Xadrez das cores e A incrível história da mulher que mudou de cor, antes exibidos para os alunos da EJA.

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Na semana seguinte as exibições, levei os alunos da EJA presencial para explicar como eles postarão os comentários no blog.

SAM_0354 Bem, chegamos então, a culminância do nosso projeto Brasil afrodescendente: conhecendo a nossa história. Felizes, gratificados, pois não adiantaria nada preparar um evento que não fosse espalhar todo um trabalho feito anteriormente. Como disse em minha fala durante o evento, não gosto de espetacularizações. Esse tipo de festa muitas vezes mascar (e muito bem) um trabalho que não existiu. Serve muito bem para vender um mal produto, se mal comparando. Não foi o nosso caso. O que realizamos foi de fato uma culminância, uma conclusão, uma celebração também, pois sabíamos que plantamos uma semente, um ponto de inquietação em nossos alunos.

Abaixo a coordenadora Maria Socorro Alves Patrício Moura (Leda) conduz o evento e agradece a participação das extensões do CEJA, salas da Educação de Jovens e Adultos coordenadas por nossa instituição, mas que funcionam em outros escolas.

DSC01166Mas não fizemos apenas uma festa. Aproveitamos a oportunidade para também ensinar. Na verdade, poderíamos dizer que aprendemos, pois a apresentação do grupo de capoeira Esquiva, coordenado pela professora Socorro Jacó, encantou-nos a todos. Transmitiu a nós o imenso valor da cultura negra em nossa brasilidade. A música, a dança, a força da capoeita reflete a resistência dos africanos diante de tantas e cruéis adversidadas de que foram vítimas em nossa história.

DSC01175 Após a apresentação do grupo de capoeira, tivemos também a apresentação de um slide fotográfico, onde expusemos as imagens de todas as etapas de nosso trabalho, numa espécie de retrospectiva. Aproveitei a oportunidade para agradecer a participação dos alunos no projeto História e Cinema durante todo o ano.

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Para encerrar Maria Rozita Pereira da Silva, aluna da professora Ruth, declamou, de sua própria autoria, um poema sobre a Consciência Negra.

DSC01182Ao término do evento, foi servido um jantar típico, com baião de dois, paçoca, macaxeira e aluá.

SAM_0429SAM_0450SAM_0471 Muito obrigado a todos os que contribuíram para o sucesso de nosso projeto. Acho que demos um passo adiante. Agradeço a Diretora do CEJA Maria do Carmo, a coordenadora Leda, ao diretor financeiro Josmey, bem como toda a equipe de professores, alunos, secretaria e demais funcionários que direta ou indiretamente colaboram com o Projeto História & Cinema. Valeu, pessoal, conto com vocês no próximo ano

História, Cinema e Consciência Negra: postagem dos resultados no Afonso Tavares de Luna

Na escola Afonso Tavares de Luna trabalhamos o tema do Dia Nacional da Consciência Negra norteados pelo mesmo método dos temas anteriores, dando ênfase as atividades interdisciplinares. Iniciamos nosso trabalho desde ainda o planejamento de outubro, quando, junto com os professores que contribuem nas atividades do CineHistória, sugerimos ideias que já poderiam ser trabalhadas e encaminhamos o direcionamento metodológico. Fechamos o cronograma no planejamento pedagógico do início de novembro, quando acertamos a participação de cada uma das disciplinas.

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Abaixo, farei um resumo dessas atividades, que envolveram diretamente as disciplinas História, Geografia, Artes, Inglês, Português, Ensino Religioso e Informática. Agradeço desde já aos professores Lunardele, Lula e Euda pela grande ajuda.

Produzi um slide que, de certa maneira fez um apanhado de tudo o que pretendia discutir com os alunos nas aulas de História e Geografia. Ao longo de duas semanas, dividimos a discussão em quatro partes: Parte I – Conhecendo o continente africano, onde apresentei a localização geográfica do continente, as características das Áfricas Branca e Negra, nos seus aspectos físicos e culturais, relevo, hidrografia, população, clima, etc.; na parte II – Africanos na América: o processo de escravidão, estudamos o transporte dos africanos para o continente americano, quais eram suas condições de vida, de que maneira eram explorados, entre outros assuntos. Já na parte III – Resistência e incorporação, estudamos como os africanos confrontaram o sistema pelo qual eram explorados, mas não só o viés da luta de rebelião, as fugas, mas ressaltando os aspectos culturais, a manutenção de suas tradições, que hoje compõe o seu legado cultural para nós, todos afro-descendentes. Bem, na parte IV – Os negros no Brasil de hoje, fizemos um debate sobre a inserção dos negros no mercado de trabalho, observamos alguns dados comparando a escolaridade e rendimento dos negros e brancos na sociedade brasileira, e podemos perceber que há ainda muito para erradicarmos a grande desigualdade que séculos de escravidão ajudaram a modelar.

DSC00940 DSC00954 Para fecharmos a discussão, fizemos um debate sobre o preconceito racial, focando na tese de que existe um racismo disfarçado na maioria das vezes, pois enquanto há leis que prezem pela igualdade entre “raças” e repudia qualquer forma de preconceito, há um velado comportamento racista no Brasil, que não parte das instituições do estado, mas entranhado na própria sociedade.

Na disciplina de Ensino Religioso, a professora Euda exibiu o documentário Religiões Africanas, onde os alunos tiveram acesso a imagens e informações sobre as principais manifestações religiosas dos povos africanos, e puderam perceber que muitos rituais e crenças praticadas no Brasil, tiveram sua origem com os povos da África.

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Como nos outros temas já trabalhados esse ano, a professora Lula traduziu com os alunos do 7° Ano A alguns textos sobre o racismo e frases que condenam esses atos. A professora Lula também contribuiu com a disciplina de Português, pois os alunos produziram um texto opinativo sobre os filmes que exibimos na nossa sessão de cinema. Esses textos, como quem acompanha o blog já sabe, foram digitados pelos próprios alunos na aula de Informática com o professor Lunardele. Essas opiniões serão em breve postadas aqui.

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Bem, como já mencionei, o CineHistória, durante as aulas de Artes, exibiu esse mês dois curtas-metragens abordando o preconceito racial. Escolhemos O xadrez das cores e A incrível história da mulher que mudou de cor não só pela sua qualidade (são filmes espetaculares), mas também pelo seu didatismo. Como são curtas, o tempo foi suficiente para que pudéssemos refletir coletivamente logo após a projeção, que contou com a ilustre presença do nosso amigo da escola o poeta Zé Santana.

DSC00972 No dia 18 de novembro, tivemos na escola Afonso Tavares de Luna, a culminância das atividades relacionadas ao Dia Nacional da Consciência Negra. Foram realizadas apresentações teatrais, danças coreografadas e capoeira. Mas essa culminância não encerra as discussões, pois o tema deve persistir em nossa mente. O dia 20 de novembro é um símbolo. A luta por uma sociedade justa, igual, pluralista, continuará sendo travada por nós, educadores, alunos, sociedade em geral para que um dia, possamos dizer que vivemos de fato em uma democracia racial.

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Até o próxima postagem!

Aguardo os comentários de vocês.