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Blog dedicado a divulgação do Projeto História e Cinema, que discute o cinema como ferramenta pedagógica no trabalho com a disciplina História.

sexta-feira, 28 de abril de 2017

Cinema e História Contemporânea

Confesso que nos últimos tempos não vinha postando textos aqui no blog, e alguns amigos professores e outros leitores estavam cobrando por isso. Vou tentar postar com mais frequência agora. Mas fico feliz que algumas pessoas estivessem acompanhando as publicações e sentindo falta da divulgação que venho fazendo desse trabalho que une duas de minhas muitas paixões: o cinema e a História.

Ao longo desse tempo eu vinha mantendo o trabalho com a utilização de filmes nas aulas de História nos moldes das várias metodologias aqui já expostas e em vários níveis, do ensino fundamental a pré-vestibulares, passando pelo ensino médio em diversas modalidades, seja em salas de aula regulares como nas salas de Educação de Jovens e Adultos, em regime presencial e semipresencial. Ufa! Foram mesmo muitas experiências ao longo desses anos, e todas elas podem ser conferidas aqui no blog. Convido vocês leitores a dar uma passada por estes textos. Bom, sigamos em frente!

Estou postando agora porque recentemente fechamos um ciclo de discussões nas salas de 9º ano em que trabalhei em 2015 e 2016 a qual chamamos de Projeto Cinema e História contemporânea. Faço questão de compartilhar essa experiência porque nunca tinha experimentado o cinema usando tal metodologia e acho que chegamos a um resultado bem interessante.

Como professor de História há 15 anos uma das constatações mais necessárias a fazer, quando penso na dinâmica do processo de ensino-aprendizagem, é a importância da sensibilização do aluno como fator norteador da apreensão dos conteúdos. Se levarmos em consideração que um plano de aula contempla as etapas de sensibilização, problematização, investigação e conceituação, cabe ao professor, enfim, definir as ferramentas (suportes) que lhes possibilitem conduzir esse processo a fim de que o objetivo fundamental da aula seja atingido, qual seja, o aprendizado por parte dos alunos

Entendo que o cinema deva ser usado como uma estratégia de abordagem do conteúdo, sobretudo nas etapas de sensibilização e problematização, oportunizando aos alunos um espaço para a reflexão em torno de uma meta da nova educação: o letramento midiático. Sendo assim, proponho o uso de filmes em sala de aula como um elemento gerador de uma investigação crítica das factualidades, e não um elemento decorativo da aula, menos como ilustração do que realmente instigador do pensar a História.

Pois bem, o projeto não visou a simples exibição de filmes aos alunos como ilustração dos conteúdos, mas acima de tudo um meio para estimularmos o estudo comparativo como o objetivo de tornar a análise dos fatos históricos uma experiência crítica. Foram selecionados 13 filmes cuja temática estava relacionada ao conteúdo a ser estudado no II semestre do 9º ano do Ensino Fundamental. No entanto os filmes não foram exibidos em sala de aula integralmente. Dividimos esses filmes segundo o estudo por eixo temáticos. Forma eles:
  • Ascensão dos regimes totalitários na Europa pós I Guerra Mundial
  • II Guerra Mundial
  • Guerra Fria: disputas ideológicos, conflitos no sudeste asiático e processos de descolonização.


Vejam os filmes que foram distribuídos aos alunos: 













Após a divisão dos temas, houve uma aula de apresentação do projeto para que os alunos tivessem uma certa dimensão da intencionalidade pedagógica e pudessem contribuir, inclusive com sugestões de ordem metodológica. Nesse mesmo dia, fizemos um sorteio para definir o tema que caberia a cada equipe e depois cópias dos filmes foram distribuídas de acordo com o conteúdo que caberia a cada grupo de alunos explorarem.

Aula de apresentação:





Os alunos se revezaram na posse do filme até que todos os membros da equipe tivesse vistos todos os filmes. O desafio também era ler o conteúdo referente ao tema do filme e buscar semelhanças e diferenças em relação a abordagem. Por exemplo: o que o filme apresenta que não vi no texto do livro, e o que ficou de fora do filme em relação ao material didático? É possível um filme que seja uma retratação fiel dos fatos narrados no livro? É ainda possível que os livros também abordem a história de forma total? O filme, afinal, é menos “verdadeiro” que o livro? Questões como essas serviram ao nosso debate.

O texto está ficando longo, mas estou concluindo, caros colegas. Bem, chegamos a culminância das atividades. Cada equipe fez uma apresentação daquilo que puderam observar no estudo comparativo. Mas, confesso agora que o mais importante deixei para o final: cada equipe tinha também como responsabilidade selecionar algumas cenas do filme para que durante a apresentação do tema, pudéssemos com base na exibição dessas cenas e na observação dos textos do material didático, observarmos juntos de que maneira os responsáveis pela produção do filme buscaram fazer o registro do fato histórico. E como professor, foi interessante ver que critérios os alunos usaram para selecionar essas cenas.

Culminância com a apresentação dos alunos:














Com essa atividade, sinceramente penso que demos um passo adiante no sentido de usar o audiovisual de forma crítica e construtiva, contribuindo para despertar a curiosidade do aluno para o estudo da disciplina e mostrar como também, através de outras mídias, podemos pensar a História, desde que estejamos devidamente atentos à relevância disso. E esse também deve ser o papel da escola, já que vivemos em um mundo cada vez mais imagético.

Professor Josemar de Medeiros Cruz