quinta-feira, 6 de maio de 2010

1492 A Conquista do Paraíso

1492 2 Depois do impacto da brilhante realização de Kethryn Bigelow em Guerra ao Terror, o nosso Projeto História e Cinema volta com outra importante produção do cinema americano. Feita convenientemente para coincidir com o aniversário de 500 anos da chegada dos europeus ao continente americano, o filme 1492 A Conquista do Paraíso, de Ridley Scott, acabou por sofrer duras críticas quando do seu lançamento, inclusive o de fazer apologia do massacre causado às populações ameríndias, também em seu viés etnocida. Uma pena, posto que o filme claramente não tem esse foco, e em certas situações vê-se a preocupação do diretor em chocar o espectador ao mostrar o comportamento selvagem do colonizador.

Como já mencionei em outra oportunidade, o diretor Ridley Scott 1492 4 tem especial predileção por temas históricos, e explora o material de “pesquisa” com grande apuro técnico, mas também levanta questões a serem debatidas, o que nos motivou a escolher alguns de seus filmes para exibir no projeto. Já mostramos e debatemos Cruzada e ainda faremos isso com Gladiador.

O filme 1492 traz no elenco o sempre competente Gerard Depardieu, como Cristóvão Colombo, Armand Assant, como Sanchez e Segourney Weaver, como a rainha Isabel, e mostra os eventos relacionados a disputa entre Espanha e Portugal pelo domínio da expansão comercial oceânica, bem como a viagem de Colombo e os primeiros momentos da colonização da América. 1492 1

Conto com a presença dos alunos do CEJA e demais participantes do Projeto História e Cinema na exibição do filme, que como sempre, será no laboratório de informática da escola. 1492 3Postem o comentário sobre a expectativa para esse filme, e de que maneira vocês vêem esse processo de “descobrimento” e colonização do “novo mundo”.  Até mais!

Assistam ao trailer do filme:

sábado, 27 de março de 2010

Guerra ao Terror

Guerra ao Terror

Seguindo em frente com a programação desse ano, o nosso projeto História e Cinema exibirá o filme Guerra ao Terror (The Hurt Locker) vencedor do Oscar desse ano. A película foi dirigida por Kathryn Bigelow, também vencedora do Oscar, e mostra a terrível missão dos soldados responsáveis por desativar bombas. 

O desarmamento desses artefatos, e ás vezes sua própria ativação dirigida para evitar maiores danos é uma das atividades mais tensas num contexto de guerra. Bigelow transpõe magistralmente essa realidade para o cinema, sem se preocupara em fazer uma crítica aberta à guerra do Iraque, onde o filme é historicamente ambientado. Talvez por isso mesmo fiquemos com a impressão mais efetiva do horror da guerra, posto que aqui é mostrada sem uma ambiência política, ressaltando, portanto, seu caráter humano, ou a ausência dele. guerra-ao-terror II

O filme custou relativamente pouco – se considerarmos o padrão do cinema americano –, apenas 11 milhões de dólares, o que ressalta a idéia que qualidade não está diretamente relacionada ao montante empregado na produção cinematográfica. Não é um filme de ação simplesmente. Explora, em sua maior parte, a linha tênue que separa vida e morte, sucesso e fracasso. Acima de tudo, talvez, o mais interessante seja perceber como algumas pessoas nutrem realmente um vício pela batalha, sendo ao mesmo tempo protagonistas dela e meros fantoches dos chamados senhores da guerra. guerra ao terror III

A obra de Kathryn Bigelow nos dará a oportunidade de refletir um pouco sobre o significado histórico das guerras como agentes transformadores da história, mas também refletirmos sobre os acontecimentos pós-11 de Setembro, em que se enquadra mais especificamente a invasão americana ao Iraque e Afeganistão.

Aguardo todos vocês, alunos do Projeto História e Cinema, presentes no dia da exibição, em data que será divulgada em vossas salas ainda essa semana. Mas já convido à participação no blog, falando sobre a expectativa em relação ao filme, e quem sabe a opinião de quem já assistiu.guerra ao terror IV

Espero que vocês tenham gostado do primeiro filme que exibimos esse ano: A Guerra do Fogo. Postem os comentários sobre ele também.

Uma semana santa de paz para todos vocês, em especial para os alunos do CEJA Joaquim Gomes Basílio. Até mais!

Vejam o vídeo com o trailer do nosso próximo filme Guerra ao Terror.

domingo, 7 de março de 2010

A Guerra do Fogo

Meus caros colegas do Projeto História e Cinema, estamos recomGuerra do Fogo capaeçando nossas atividades neste mês de março. Como primeiro filme de 2010 teremos o monumental A Guerra do Fogo (Quest for Fire, 1981), dirigido por Jean-Jacques Annaud, mesmo diretor de O Nome da Rosa e Círculo de Fogo. Quem conhece o diretor sabe que ele tem especial apreço por temas da História e os retrata sempre de maneira tensa. Os dois filmes que citei serão também exibidos ainda esse ano em nossa sala de projeção.

Pessoal, resolvi começar por A Guerra do Fogo não para dar um viés cronológico ao projeto (realmente não é o caso), mas porque o tema da Pré-História geralmente é trabalhado en-passant na escola, usando-se simplesmente o argumento positivista de não incluso na História propriamente dita. No entanto, sabemos que a maior parte da trajetória humana foi vivenciada nesse período, que é riquíssimo  em assuntos que podem e precisam ser discutidos em sala de aula.

Guerra do Fogo A história do filme é relativamente simples aos olhos do homem moderno, mas se criarmos uma empatia com a saga, ambientando-nos nas dificuldades encontradas pelos personagens, a aventura dos chamados homens das cavernas torna-se irresistível. A luta em busca do fogo (instrumental de poder entre as tribos) leva um grupo de pessoas a entrar em contato com o desconhecido e aprender pela troca de experiências os caminhos da evolução.

Chocante e emocionante, esse filme é uma clara demonstração de como o cinema pode despertar debates acalorados sobre diversos temas. Talvez aqui os mais destacados sejam o da evolução, permeados por certas permanências.  Guerra do fogo III

Alunos do Projeto História e Cinema e demais interessados, espero que após a exibição do filme, comentem o que acharam. E os professores interessados em nosso projeto, contribuam com sugestões.

De antemão, obrigado a todos. E até a próxima!

P.S.: Segue o link do trailer do filme para quem quiser dar uma olhada:

sábado, 30 de janeiro de 2010

2010: mais cinema e mais História

Como havia prometido na última postagem de 2009, o blog do Projeto História e Cinema inicia 2010 com algumas sugestões de sites que discutem a relação entre História e Cinema, bem como alguns links que nos levam a artigos que podem ser importantes para  quem está desenvolvendo algum  trabalho acadêmico sobre o tema.

listaAntes, quero lembrar a todos os leitores que o projeto que desenvolvemos na escola Joaquim Gomes Basílio continuará neste, e tomará, por muitos outros anos. Convido os alunos que participam comigo das exibições e debates, que visitem com mais frequência o blog e deixem suas opiniões, para que possamos construir um aprendizado mais dinâmico e participativo. As datas das exibições serão anunciadas assim que nosso ano letivo tiver início. Espartacus como fizemos no primeiro ano do projeto, vamos expor aqui um comentário sobre o filme que será exibido, abordando principalmente, quais os objetivos pedagógicos de sua exibição. Peço que após o debate, postem seus comentários sobre o filme.

Gostaria de contar esse ano com a participação de outros colegas professores, que se interessam pela utilização do cinema nas aulas de história. Aguardo o acesso e as suggestões.

Por falar em sugestões, aqui vão algumas, para que possamos navegar por ondas que nos despertem mais para as discussões que levemente iniciamos. Neste link http://www.cliohistoria.110mb.com/videoteca/textos/historia_cinema.pdf a historiadora Mônica Almeida Kornis faz uma interessante discussão sobre o uso do cinema no ambiente do debate historiográfico. Um belo texto para um primeiro aporte teórico sobre o tema. Mas para quem quer apenas fazer um passeio pela Hisória do Cinema, indico o  link da Wikipedia: http://pt.wikipedia.org/wiki/Hist%C3%B3ria_do_cinema, onde se pode ver um resumo preambular, que pode ser aprofundado um pouco no Webcine: http://www.webcine.com.br/historia1.htm.

Outro artigo que merece ser lido é o História e cheCinema, luz, câmera, transposição didática, de Liz de Oliveira Motta Ferraz, onde ela explicita como o cinema é uma importante ferramenta nas mãos do professor. E para facilitar muito a vida desse, o cinehistória.net traz um acervo comentado de vários filmes que podemos usar na sala de aula, inclusive dividido por temas e épocas. Excelente! E para finalizar eu indico o Café História, onde tem-se acesso a uma rede de discussão, em que professores e demais interessados em nosso tema, apresentam sugestões e discutem idéias de como por em prática idéias relacionadas em uso do cinema como instrumental didático.

Por enquanto é só. Aos participantes do projeto História e Cinema e demais interessados um feliz 2010, com muita história e com muito cinema. Até mais!

P.S.: respondam a nossa primeira enquete: qual é o melhor filme para se iniciar um debate sobre a Guerra do Vietnã. Aguardo as respostas. 

quarta-feira, 9 de dezembro de 2009

Cruzada


Nesta semana o CineHistória exibe o filme Cruzada, dirigido por Ridley Scott e escrito por William Monahan. Ambos conseguiram imprimir uma perspectiva positiva a essa parte trágica da história mundial, criando um trabalho de entretenimento épico, que busca e consegue encontrar honra, romance e até redenção espiritual em meio à matança. Com produção e elenco brilhantes -- aliás, essas são as marcas registradas dos trabalhos de Ridley Scott --, "Cruzada" é cinema em grande escala e, ao mesmo tempo, nos lembra que, no conflito entre a cristandade e o Islã, foram os cristãos que começaram a briga.

É fundamental lembrar sempre aos alunos do Projeto História e Cinema que o filme não vai substituir a aula e um bom tempo dedicado à leitura de textos sobre as cruzadas medievais é imprescindível, pois trata-se de assunto complexo e extremamente importante para entendermos o mundo que se gesta nesse conflito. E claro, perceber as suas repercussões ainda hoje.

No filme, Orlando Bloom representa o herói Balian, que acaba de enterrar sua mulher na França, em 1184 (ela se suicidou após a morte do filho bebê). É quando chega um cruzado, Godfrey de Ibelin (Liam Neeson), que busca recrutas para a causa da defesa da terra santa, ameaçada pela invasão muçulmana. Godfrey de repente se declara pai de Balian e pede a este que vá com ele à Terra Santa para recomeçar sua vida.

A ação do filme acontece durante o reinado em Jerusalém do rei cristão Balduíno IV, que criou uma paz frágil para manter o exército de Saladino à distância e permitir que as três religiões monoteístas - cristianismo, islamismo e judaísmo - praticassem sua fé na cidade. Como sabemos, na crença daqueles povos Jerusalém é o verdadeiro reino dos céus -- "um reino da consciência, um reino da paz.". Ali, um camponês pode reinventar-se como cavaleiro, jurando fidelidade a ideais nobres tais como "falar a verdade", "proteger os fracos" e "fazer o bem".

É um bom filme porque nos possibilita discutir as fronteiras da fé e da ação política. E principalmente, fazer-nos perceber que se o governo desses povos não fosse ocupado muitas vezes por radicalismos, por pessoas não interessadas em construir a paz, não entraríamos no século XXI sem dar cabo das questões de fronteira entre as nações que vivem na “terra santa”.

Usem esse espaço para comentar o filme. De alguma maneira ele contribuiu como estímulo para o estudo das cruzadas? Professores de História, vocês já usaram esse filme em suas aulas? De que maneira? Com que resultados?

Espero a participação de todos os leitores! E até o próximo filme.

Em breve postarei uma lista de sites que discutem a relação entre História e Cinema. Até lá!

quinta-feira, 26 de novembro de 2009


Nessa semana o CineHistória apresenta o filme O que é isso companheiro? que tem como argumento o livro homônimo de Fernando Gabeira, contando o extraordinário evento do sequestro do embaixador americano Charles Elbrick, durante a Ditadura Militar no Brasil. Após o AI-5, o famoso golpe dentro do golpe, os militares arrocham o regime e a perseguição aos "comunistas" se acentua, efetivando a tortura como prática sistemática e gerando revolta em parte da sociedade mais consciente do problema. Muitos jovens partiram para a luta armada. Entre eles, estava um grupo de jovens que tiveram uma idéia original: sequestrar o embaixador dos Estados Unidos para fazer com que a imprensa tivesse que divulgar o fato, além de conseguir a liberdação de alguns companheiros que estavam sendo torturados nos calabouços da ditadura.
O filme foi dirigido por Bruno Barreto e conta com um elenco muito bom: Fernanda Torres, Luís Fernando Guimarães, Alan Arkin, Selton Melo, Pedro Cardoso, Matheus Nachtergaele, Nelson Dantas, entre outros. A película foi indicada ao Oscar de melhor filme estrangeiro em 1998.
Bom pessoal, o que vocês acham desse filme como instrumento de discussão do conteúdo da Ditadura Militar no Brasil? Vocês que participam do projeto, o que acharam do filme?
Aguardo os comentários.

quarta-feira, 25 de novembro de 2009

Breve Histórico do Projeto História e Cinema




Há dois meses começamos os encontros do Projeto História e Cinema. Aproveitamos o simbolismo da data, 11 de setembro, e exibimos o documentário In Plane Site. Essa película discute os fatídicos acontecimentos do 11/09 de 2001 nos Estados Unidos e que tão fortemente repercutiu em todo o mundo.

No entanto, o viés proposto pelo filme vai na contramão do que foi exposto na grande mídia, bem como os demais veículos de imprensa ao redor do globo. O que se discute durante a projeção é a verdade do discurso que nos foi apresentado. Será que um avião colidiu mesmo com o Pentágono? Será que eram realmente aviões comerciais que se chocaram com as torres gêmeas? Parecem perguntas absurdas. Mas ao percebermos as imagens com mais cuidado, somos inclinados a duvidar de muitas das nossas crenças. Devido a ótima acolhida ao filme, e atendendo a pedidos, exibi também o documentário Loose Change, uma espécie de continuação do In Plane Site, mas com novas revelações.

Sempre após a exibição do filme, temos a discussão dos principais temas abordados nele, e é entregue aos alunos do cursinho pré-vestibular que participam do projeto um banco de questões que são corrigidas e debatidas na semana seguinte. Quando o filme é longo, deixamos todas as discussões para a semana seguinte.

Tenho a preocupação, como coordenador do Projeto História e Cinema, de escolher primeiro os temas, daí faço a seleção de um filme que aborde o assunto, seguindo, evidentemente, também o critério da qualidade cinematográfica.

Dando seqüência as exibições, tivemos a apresentação do documentário História do Brasil, com Bóris Fausto. Produzido pelo MEC, nesse filme, basicamente uma entrevista com o historiador citado, vai-se expondo didática e resumidamente a história do Brasil. O foco principal da exibição desse vídeo foi a preparação do nosso alunado para o ENEM. Nessa categoria, ainda pretendo até o final desse ano, exibir o programa Vestibulando com o conteúdo de História Geral.

Mas talvez o melhor momento do nosso projeto até agora foi a exibição do filme Amistad. Aproveitamos a semana da Consciência Negra para isso. No dia 20 de novembro, exibimos o filme e debatemos a situação do negro no Brasil, com apresentação em slides de dados estatísticos que corroboram a grave desigualdade “racial” que temos no Brasil.

No próximo dia 27, teremos a apresentação do filme O que é isso companheiro?, onde abordaremos a ditadura militar no Brasil, os anos de chumbo.

Convido vocês, leitores deste blog, sejam cinéfilos, apaixonados por História, e aqueles que, principalmente, acreditam na utilização do cinema como ferramenta pedagógica, para contribuírem com sugestões para as próximas datas. Amigos professores de História espalhados por todo o Brasil que desenvolvam um projeto semelhante, ajudem-me com idéias que eu possa utilizar. Até mais!


Em breve estarei disponibilizando um espaço para que os participantes do projeto possam comentar os filmes exibidos.