domingo, 7 de março de 2010

A Guerra do Fogo

Meus caros colegas do Projeto História e Cinema, estamos recomGuerra do Fogo capaeçando nossas atividades neste mês de março. Como primeiro filme de 2010 teremos o monumental A Guerra do Fogo (Quest for Fire, 1981), dirigido por Jean-Jacques Annaud, mesmo diretor de O Nome da Rosa e Círculo de Fogo. Quem conhece o diretor sabe que ele tem especial apreço por temas da História e os retrata sempre de maneira tensa. Os dois filmes que citei serão também exibidos ainda esse ano em nossa sala de projeção.

Pessoal, resolvi começar por A Guerra do Fogo não para dar um viés cronológico ao projeto (realmente não é o caso), mas porque o tema da Pré-História geralmente é trabalhado en-passant na escola, usando-se simplesmente o argumento positivista de não incluso na História propriamente dita. No entanto, sabemos que a maior parte da trajetória humana foi vivenciada nesse período, que é riquíssimo  em assuntos que podem e precisam ser discutidos em sala de aula.

Guerra do Fogo A história do filme é relativamente simples aos olhos do homem moderno, mas se criarmos uma empatia com a saga, ambientando-nos nas dificuldades encontradas pelos personagens, a aventura dos chamados homens das cavernas torna-se irresistível. A luta em busca do fogo (instrumental de poder entre as tribos) leva um grupo de pessoas a entrar em contato com o desconhecido e aprender pela troca de experiências os caminhos da evolução.

Chocante e emocionante, esse filme é uma clara demonstração de como o cinema pode despertar debates acalorados sobre diversos temas. Talvez aqui os mais destacados sejam o da evolução, permeados por certas permanências.  Guerra do fogo III

Alunos do Projeto História e Cinema e demais interessados, espero que após a exibição do filme, comentem o que acharam. E os professores interessados em nosso projeto, contribuam com sugestões.

De antemão, obrigado a todos. E até a próxima!

P.S.: Segue o link do trailer do filme para quem quiser dar uma olhada:

sábado, 30 de janeiro de 2010

2010: mais cinema e mais História

Como havia prometido na última postagem de 2009, o blog do Projeto História e Cinema inicia 2010 com algumas sugestões de sites que discutem a relação entre História e Cinema, bem como alguns links que nos levam a artigos que podem ser importantes para  quem está desenvolvendo algum  trabalho acadêmico sobre o tema.

listaAntes, quero lembrar a todos os leitores que o projeto que desenvolvemos na escola Joaquim Gomes Basílio continuará neste, e tomará, por muitos outros anos. Convido os alunos que participam comigo das exibições e debates, que visitem com mais frequência o blog e deixem suas opiniões, para que possamos construir um aprendizado mais dinâmico e participativo. As datas das exibições serão anunciadas assim que nosso ano letivo tiver início. Espartacus como fizemos no primeiro ano do projeto, vamos expor aqui um comentário sobre o filme que será exibido, abordando principalmente, quais os objetivos pedagógicos de sua exibição. Peço que após o debate, postem seus comentários sobre o filme.

Gostaria de contar esse ano com a participação de outros colegas professores, que se interessam pela utilização do cinema nas aulas de história. Aguardo o acesso e as suggestões.

Por falar em sugestões, aqui vão algumas, para que possamos navegar por ondas que nos despertem mais para as discussões que levemente iniciamos. Neste link http://www.cliohistoria.110mb.com/videoteca/textos/historia_cinema.pdf a historiadora Mônica Almeida Kornis faz uma interessante discussão sobre o uso do cinema no ambiente do debate historiográfico. Um belo texto para um primeiro aporte teórico sobre o tema. Mas para quem quer apenas fazer um passeio pela Hisória do Cinema, indico o  link da Wikipedia: http://pt.wikipedia.org/wiki/Hist%C3%B3ria_do_cinema, onde se pode ver um resumo preambular, que pode ser aprofundado um pouco no Webcine: http://www.webcine.com.br/historia1.htm.

Outro artigo que merece ser lido é o História e cheCinema, luz, câmera, transposição didática, de Liz de Oliveira Motta Ferraz, onde ela explicita como o cinema é uma importante ferramenta nas mãos do professor. E para facilitar muito a vida desse, o cinehistória.net traz um acervo comentado de vários filmes que podemos usar na sala de aula, inclusive dividido por temas e épocas. Excelente! E para finalizar eu indico o Café História, onde tem-se acesso a uma rede de discussão, em que professores e demais interessados em nosso tema, apresentam sugestões e discutem idéias de como por em prática idéias relacionadas em uso do cinema como instrumental didático.

Por enquanto é só. Aos participantes do projeto História e Cinema e demais interessados um feliz 2010, com muita história e com muito cinema. Até mais!

P.S.: respondam a nossa primeira enquete: qual é o melhor filme para se iniciar um debate sobre a Guerra do Vietnã. Aguardo as respostas. 

quarta-feira, 9 de dezembro de 2009

Cruzada


Nesta semana o CineHistória exibe o filme Cruzada, dirigido por Ridley Scott e escrito por William Monahan. Ambos conseguiram imprimir uma perspectiva positiva a essa parte trágica da história mundial, criando um trabalho de entretenimento épico, que busca e consegue encontrar honra, romance e até redenção espiritual em meio à matança. Com produção e elenco brilhantes -- aliás, essas são as marcas registradas dos trabalhos de Ridley Scott --, "Cruzada" é cinema em grande escala e, ao mesmo tempo, nos lembra que, no conflito entre a cristandade e o Islã, foram os cristãos que começaram a briga.

É fundamental lembrar sempre aos alunos do Projeto História e Cinema que o filme não vai substituir a aula e um bom tempo dedicado à leitura de textos sobre as cruzadas medievais é imprescindível, pois trata-se de assunto complexo e extremamente importante para entendermos o mundo que se gesta nesse conflito. E claro, perceber as suas repercussões ainda hoje.

No filme, Orlando Bloom representa o herói Balian, que acaba de enterrar sua mulher na França, em 1184 (ela se suicidou após a morte do filho bebê). É quando chega um cruzado, Godfrey de Ibelin (Liam Neeson), que busca recrutas para a causa da defesa da terra santa, ameaçada pela invasão muçulmana. Godfrey de repente se declara pai de Balian e pede a este que vá com ele à Terra Santa para recomeçar sua vida.

A ação do filme acontece durante o reinado em Jerusalém do rei cristão Balduíno IV, que criou uma paz frágil para manter o exército de Saladino à distância e permitir que as três religiões monoteístas - cristianismo, islamismo e judaísmo - praticassem sua fé na cidade. Como sabemos, na crença daqueles povos Jerusalém é o verdadeiro reino dos céus -- "um reino da consciência, um reino da paz.". Ali, um camponês pode reinventar-se como cavaleiro, jurando fidelidade a ideais nobres tais como "falar a verdade", "proteger os fracos" e "fazer o bem".

É um bom filme porque nos possibilita discutir as fronteiras da fé e da ação política. E principalmente, fazer-nos perceber que se o governo desses povos não fosse ocupado muitas vezes por radicalismos, por pessoas não interessadas em construir a paz, não entraríamos no século XXI sem dar cabo das questões de fronteira entre as nações que vivem na “terra santa”.

Usem esse espaço para comentar o filme. De alguma maneira ele contribuiu como estímulo para o estudo das cruzadas? Professores de História, vocês já usaram esse filme em suas aulas? De que maneira? Com que resultados?

Espero a participação de todos os leitores! E até o próximo filme.

Em breve postarei uma lista de sites que discutem a relação entre História e Cinema. Até lá!

quinta-feira, 26 de novembro de 2009


Nessa semana o CineHistória apresenta o filme O que é isso companheiro? que tem como argumento o livro homônimo de Fernando Gabeira, contando o extraordinário evento do sequestro do embaixador americano Charles Elbrick, durante a Ditadura Militar no Brasil. Após o AI-5, o famoso golpe dentro do golpe, os militares arrocham o regime e a perseguição aos "comunistas" se acentua, efetivando a tortura como prática sistemática e gerando revolta em parte da sociedade mais consciente do problema. Muitos jovens partiram para a luta armada. Entre eles, estava um grupo de jovens que tiveram uma idéia original: sequestrar o embaixador dos Estados Unidos para fazer com que a imprensa tivesse que divulgar o fato, além de conseguir a liberdação de alguns companheiros que estavam sendo torturados nos calabouços da ditadura.
O filme foi dirigido por Bruno Barreto e conta com um elenco muito bom: Fernanda Torres, Luís Fernando Guimarães, Alan Arkin, Selton Melo, Pedro Cardoso, Matheus Nachtergaele, Nelson Dantas, entre outros. A película foi indicada ao Oscar de melhor filme estrangeiro em 1998.
Bom pessoal, o que vocês acham desse filme como instrumento de discussão do conteúdo da Ditadura Militar no Brasil? Vocês que participam do projeto, o que acharam do filme?
Aguardo os comentários.

quarta-feira, 25 de novembro de 2009

Breve Histórico do Projeto História e Cinema




Há dois meses começamos os encontros do Projeto História e Cinema. Aproveitamos o simbolismo da data, 11 de setembro, e exibimos o documentário In Plane Site. Essa película discute os fatídicos acontecimentos do 11/09 de 2001 nos Estados Unidos e que tão fortemente repercutiu em todo o mundo.

No entanto, o viés proposto pelo filme vai na contramão do que foi exposto na grande mídia, bem como os demais veículos de imprensa ao redor do globo. O que se discute durante a projeção é a verdade do discurso que nos foi apresentado. Será que um avião colidiu mesmo com o Pentágono? Será que eram realmente aviões comerciais que se chocaram com as torres gêmeas? Parecem perguntas absurdas. Mas ao percebermos as imagens com mais cuidado, somos inclinados a duvidar de muitas das nossas crenças. Devido a ótima acolhida ao filme, e atendendo a pedidos, exibi também o documentário Loose Change, uma espécie de continuação do In Plane Site, mas com novas revelações.

Sempre após a exibição do filme, temos a discussão dos principais temas abordados nele, e é entregue aos alunos do cursinho pré-vestibular que participam do projeto um banco de questões que são corrigidas e debatidas na semana seguinte. Quando o filme é longo, deixamos todas as discussões para a semana seguinte.

Tenho a preocupação, como coordenador do Projeto História e Cinema, de escolher primeiro os temas, daí faço a seleção de um filme que aborde o assunto, seguindo, evidentemente, também o critério da qualidade cinematográfica.

Dando seqüência as exibições, tivemos a apresentação do documentário História do Brasil, com Bóris Fausto. Produzido pelo MEC, nesse filme, basicamente uma entrevista com o historiador citado, vai-se expondo didática e resumidamente a história do Brasil. O foco principal da exibição desse vídeo foi a preparação do nosso alunado para o ENEM. Nessa categoria, ainda pretendo até o final desse ano, exibir o programa Vestibulando com o conteúdo de História Geral.

Mas talvez o melhor momento do nosso projeto até agora foi a exibição do filme Amistad. Aproveitamos a semana da Consciência Negra para isso. No dia 20 de novembro, exibimos o filme e debatemos a situação do negro no Brasil, com apresentação em slides de dados estatísticos que corroboram a grave desigualdade “racial” que temos no Brasil.

No próximo dia 27, teremos a apresentação do filme O que é isso companheiro?, onde abordaremos a ditadura militar no Brasil, os anos de chumbo.

Convido vocês, leitores deste blog, sejam cinéfilos, apaixonados por História, e aqueles que, principalmente, acreditam na utilização do cinema como ferramenta pedagógica, para contribuírem com sugestões para as próximas datas. Amigos professores de História espalhados por todo o Brasil que desenvolvam um projeto semelhante, ajudem-me com idéias que eu possa utilizar. Até mais!


Em breve estarei disponibilizando um espaço para que os participantes do projeto possam comentar os filmes exibidos.

terça-feira, 24 de novembro de 2009

Bem vindos ao CineHistória

Sou professor de História do Centro de Educação de Jovens e Adultos Joaquim Gomes Basílio, na cidade de Brejo Santo, e cinéfilo nas horas vagas, que infelizmente não são muitas. Para unir essas duas paixões, montei um projeto chamado História e Cinema, onde debatemos o conteúdo da disciplina História a partir da exibição de filmes que abordem os temas explorados nos livros didáticos.

O objetivo desse blog é ser mais um canal de debates. Após a exibição dos filmes, sempre as sextas-feiras à noite, fica aberto esse espaço para os participantes do projeto opinarem sobre o filme, bem como sugerirem outros temas e películas. Sei que ele vai ser um instrumento valioso nesse sentido.


Por que cinema e história?


Num momento em que se discute a inserção de novas tecnologias na educação, volta a pauta um tema bastante debatido e agora um pouco adormecido: a utilização do cinema como fonte de pesquisa para o historiador. Acho premente que discutamos também a utilização do cinema dentro da sala de aula, como fator gerador de uma nova dinâmica interdisciplinar.

Um filme jamais substituirá uma aula, mas pode, inegavelmente, contribuir para que o corpo discente desperte um interesse especial pelo tema apresentado por ele, e isso quase sempre acontece se: o filme for bem escolhido, houver um trabalho de preparação para assisti-lo e os alunos estarem ambientados com a proposta metodológica que envolve sua projeção.

Um filme jamais dará cabo de todas as principais questões que envolve um fato histórico. O próprio tempo de projeção impede isso. Nenhum filme dará cabo de todos os eventos importantes da II Guerra Mundial, ou da Revolução Russa ou mesmo da Revolta da Vacina. Ele apresentará uma versão recortada do acontecido. No entanto, o filme não deve ser visto como um instrumental completo, algo, como foi dito anteriormente, capaz de substituir a aula. Nenhuma ferramenta pedagógica se presta a esse fim. Talvez esse seja o ponto nevrálgico da discussão.

A projeção de um filme de guerra, um documentário, um drama de época ou um épico bíblico deve ter como finalidade a proposição de um elemento complementar, um meio de permitir ao aluno acesso ao recorte visual que a sociedade produziu sobre determinado tema, mas também proporcionar ao alunado uma reflexão em torno do fato, ou de como ele foi reconstruído visualmente. Nesse sentido, o filme não é necessariamente melhor ou pior que o livro.

Assistir um filme como Tempos Modernos não permitirá ao aluno conhecer a história da Revolução Industrial, suas fases, seus personagens, seus críticos, etc., mas acarretará uma problematização em torno das novas condições de trabalho do homem moderno, a sua própria coisificação e a produção em série de um novo homem. Num filme como Platoon, perceber como os Estados Unidos da América se relacionam com a Guerra do Vietnã, que eles nunca superaram emocionalmente. Ou, para citar mais um exemplo, o Resgate do Soldado Ryan, em que se pode explorar a violência dos conflitos militares.

Assim sendo, a proposta desse Projeto História e Cinema é basicamente proporcionar a partir da exibição de filmes com temáticas históricas, uma reflexão em torno dos eventos tratados na película, mas também tentar perceber como o recorte cinematográfico permite um entendimento da própria relação do homem com a história, posto que o cinema é uma forma de perpetuar uma determinada visão do passado.


Em breve, estarei postando um pequeno resumo dos eventos ligados ao Projeto História e Cinema acontecidos até aqui, assim como futuras datas de exibição. Espero a participação de todos aqueles que se interessam por História e Cinema. Até mais!